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HITS: 663

  1. UNIVERSIDADE FEDERAL DE MINAS GERAIS
  2. CURSO DE ESPECIALIZAÇÃO EM ATENÇÃO BÁSICA EM SAÚDE DA FAMÍLIA
  3. RENATO COELHO FURTADO
  4. ÚLCERAS VENOSAS:
  5. uma revisão da literatura
  6. Campos Gerais / Minas Gerais
  7. 2014
  8. RENATO COELHO FURTADO
  9. ÚLCERAS VENOSAS: uma revisão da literatura
  10. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de
  11. Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família,
  12. Universidade Federal de Minas Gerais, para obtenção do Certificado
  13. de Especialista.
  14. Tutor: Profª. Dra. Márcia Helena Miranda Cardoso Podesta
  15. Campos Gerais / Minas Gerais
  16. 2014
  17. RENATO COELHO FURTADO
  18. ÚLCERAS VENOSAS:
  19. uma revisão da literatura
  20. Trabalho de Conclusão de Curso apresentado ao Curso de
  21. Especialização em Atenção Básica em Saúde da Família,
  22. Universidade Federal de Minas Gerais, para obtenção do Certificado
  23. de Especialista.
  24. Tutor: Profª. Dra. Márcia Helena Miranda Cardoso Podesta
  25. Banca examinadora:
  26. Profa. Dra. Márcia Helena Miranda Cardoso Podesta - Orientadora
  27. Profa. Dra. Olinda Maria Gomes da Costa Vilas Boas - Examinadora
  28. Aprovado em Alfenas: 05/07/2014
  29. AGRADECIMENTOS
  30. Agradeço a Marcella pelo apoio e carinho e principalmente por me incentivar a cursar a
  31. Especialização em Saúde da Família, mesmo diante das dificuldades enfrentadas.
  32. Agradeço a minha mãe que também me incentivou a continuar os estudos após a graduação.
  33. Agradeço ao meu sogro Ricardo que me ajudou muito nas longas viagens para Campos Gerais
  34. e Alfenas.
  35. Agradeço aos meus colegas de equipe no PSF Santa Cruz I que além da vivência do dia-a-dia
  36. proporcionaram momentos de discussão que me ajudaram no curso e em meu crescimento
  37. profissional.
  38. Agradeço a minha orientadora Profª. Dra. Márcia Helena Miranda Cardoso Podesta que foi
  39. fundamental na reta final do curso e desenvolvimento do TCC.
  40. RESUMO
  41. Trata-se de um estudo baseado na revisão da literatura com utilização de livros, artigos
  42. científicos, publicados em meio eletrônico abordando o tema úlcera venosa, cujos objetivos
  43. são: caracterizar a produção do conhecimento no assunto, ampliar os conhecimentos sobre o
  44. tema para que a assistência prestada seja embasada cientificamente e de qualidade. O
  45. levantamento bibliográfico foi realizado em julho de 2013; foram consideradas as publicações
  46. no período de junho de 2003 a junho de 2013, disponibilidade dos mesmos na íntegra e no
  47. idioma português, constituindo assimuma amostra de 17 artigos. A análise dos artigos mostra
  48. que a prevenção e tratamento da insuficiência venosa é um aspecto importante para que se
  49. possa evitar o estágio de ulceração; o uso da terapia compressiva deve ser aliado ao uso da
  50. terapia tópica favorecendo a cicatrização e prevenção de recidivas. Em relação a abordagem
  51. diagnóstica, além do diagnóstico clínico os artigos mostram o uso de pletismografia como
  52. exame complementar. Em relação a terapia tópica, além das terapias tradicionais; é destacado
  53. o uso de pomada de própolis, uso de iodóforos tópicos e associação entre sulfadiazina de prata
  54. a 1% com nitrato de cério a 0,4%, que apesar de mostrar eficácia ainda necessitam de maiores
  55. estudos. Não foram encontradas evidências indicando qual é a melhor terapia tópica. Ao final,
  56. este estudo sugere-seanecessidade de uma mudança na prática da enfermagem, onde o
  57. princípio científico seja o alicerce para o desenvolvimento de nossas ações que possibilitem
  58. uma assistência de enfermagem com qualidade e mais valorizada. A análise da produção
  59. científica mostra que o ano de 2007 foi o que apresentou mais publicações perfazendo um
  60. total de 35,29% destas. Em relação ao veículo de divulgação 35,29% (06 artigos) foram
  61. publicadas pelo Jornal Vascular Brasileiro. Em relação aos estados, São Paulo apresentou a
  62. maior porcentagem com 41,19% (07 artigos). Quanto ao tipo de pesquisa a maioria das
  63. publicações (47,06%) envolve a pesquisa clínica, seguido por 41,19% que envolve a revisão
  64. bibliográfica.
  65. PALAVRAS-CHAVE: Úlcera venosa; Insuficiência venosa;Enfermagem; Cicatrização;
  66. ABSTRACT
  67. This is a study based on literature review and use of scientific articles published in the
  68. electronic media, addressing the theme venous ulcer, whose goals are to characterize the
  69. production of knowledge in about the subject, increase their knowledge of the topic for that
  70. the assistance given be scientifically based and quality. The literature survey was conducted
  71. in July 2013; were considered publications from June 2003 to June 2013, availability of the
  72. same in its entirety and in Portuguese, thus built a sample of 17 articles. The analysis of the
  73. articles shows that the prevention and treatment of venous insufficiency is an important aspect
  74. to be able to avoid the stage of ulceration; the use of compression therapy should be combined
  75. with the use of topical therapy promoting cicatrization and preventing recurrence. Regarding
  76. the diagnostic approach, besides the clinical diagnosis the articles show the use of
  77. plethysmography as a complementary examination. In relation to topical therapy in addition
  78. to traditional therapies; it’s emphasized the use of propolis ointment, use of iodophor topics
  79. and association between silver sulfadiazine 1% with cerium nitrate 0,4%, which despite
  80. showing efficacy still require further study. No evidence indicating what is the best topical
  81. treatmentwere found. We suggest the need for a change in nursing practice, where the
  82. scientific principle is the foundation for the development of our actions that enable a nursing
  83. care with quality and more valued.The analysis of scientific literature shows that the year
  84. 2007 was presented the most publications totaling 35.29% of them. From the vehicle for the
  85. dissemination 35.29% (06 articles) were published by Jornal Vascular Brasileiro. Regarding
  86. states, São Paulo had the highest percentage with 41.19% (07 articles). Regarding the type of
  87. research most publications (47.06%) involves clinical research, followed by 41.19% which
  88. involves literature review.
  89. KEYWORDS : Venous ulcer . Venous insufficiency .Nursing .Healing .
  90. LISTA DE TABELAS
  91. Tabela 1 – Distribuição das produções científicas de acordo com os temas abordados.
  92. Campos Gerais, 2014................................................................................................................24
  93. Tabela 2 – Distribuição da amostra segundo o ano das publicações das produções científicas.
  94. Campos Gerais, 2014................................................................................................................24
  95. Tabela 3 – Distribuição das publicações científicas de acordo com o veículo de divulgação.
  96. Campos Gerais, 2014................................................................................................................25
  97. Tabela 4 – Distribuição das publicações científicas de acordo com o local de origem da
  98. pesquisa. Campos Gerais, 2014................................................................................................25
  99. Tabela 5 – Distribuição das publicações científicas quanto ao tipo de pesquisa desenvolvida.
  100. Campos Gerais, 2014................................................................................................................26
  101. Tabela 6 – Distribuição das publicações científicas segundo as instituições de ensino.
  102. Campos Gerais, 2014................................................................................................................27
  103. SUMÁRIO
  104. 1 INTRODUÇÃO.............................................................................................................. 9
  105. 2 JUSTIFICATIVA........................................................................................................... 11
  106. 3 OBJETIVO..................................................................................................................... 12
  107. 4 METODOLOGIA.......................................................................................................... 13
  108. 4.1 Tipo de pesquisa.......................................................................................................... 13
  109. 4.2 Material e método........................................................................................................ 13
  110. 4.3 Critérios de inclusão.................................................................................................... 13
  111. 4.4 Amostra...................................................................................................................... 13
  112. 5 REVISÃO CONCEITUAL E OPERACIONAL......................................................... 16
  113. 5.1 Anatomia e fisiologia da pele...................................................................................... 16
  114. 5.2 Fisiologia da cicatrização............................................................................................ 17
  115. 5.2.1 Tipos de cicatrização................................................................................................ 18
  116. 5.3 Tipos de feridas............................................................................................................ 19
  117. 5.4 Úlceras Venosas........................................................................................................... 19
  118. 5.4.1 Etiologia e fisiopatologia.......................................................................................... 19
  119. 5.4.2 Tratamento das Úlceras Venosas............................................................................ 21
  120. 6 RESULTADOS E DISCUSSÕES.................................................................................
  121. 6.1 Úlceras venosas e insuficiência venosa crônica (aspectos gerais)............................
  122. 6.2 Abordagem diagnóstica..............................................................................................
  123. 6.3 Tratamento tópico de úlceras venosas......................................................................
  124. 7 CONSIDERAÇÕES FINAIS.........................................................................................
  125. 8 REFERÊNCIAS.............................................................................................................
  126. 24
  127. 28
  128. 33
  129. 36
  130. 39
  131. 40
  132. 9
  133. 1. INTRODUÇÃO
  134. Qualquer tipo de lesão que leve à solução de continuidade da pele pode ser chamada
  135. de ferida (DEALEY, 2001). O significado da palavra ferida ultrapassa a simples definição de
  136. perda da solução de continuidade da pele. O cuidar da ferida vai muito além dos cuidados
  137. gerais ou da realização de um curativo. A ferida não pode ser apenas uma lesão física, mas
  138. algo que dói sem necessariamente precisar de estímulos sensoriais (JORGE; DANTAS,
  139. 2003).
  140. Os danos repetidos que interrompem ou destroem a formação dos tecidos e o processo
  141. de cicatrização, se caracteriza um quadro de ferida crônica (RIBEIRO, 2003). Dentre as
  142. feridas crônicas, as úlceras venosas merecem destaque, pois estima-se que ela seja a causa de
  143. 70 a 90% das úlceras de membros inferiores (HESS, 2002).
  144. Mesmo que as úlceras venosas tenham mortalidade quase nula, a mesma apresenta
  145. uma morbidade significativa, constituindo importante causa de desconforto e incapacidade,
  146. interferindo em vários aspectos da vida do paciente, principalmente a qualidade de vida
  147. (JORGE; DANTAS, 2003).
  148. As úlceras venosas causam significante impacto social e econômico devido à natureza
  149. recorrente e do longo tempo decorrido entre sua abertura e cicatrização. Quando não
  150. manejadas adequadamente, cerca de 30% das úlceras venosas cicatrizadas recorrem no
  151. primeiro ano, após dois anos essa taxa sobe para 78%. Apesar da alta prevalência e da
  152. importância da úlcera venosa, ela é frequentemente negligenciada e abordada de maneira
  153. inadequada(ABBADE; LASTÓRIA, 2006).
  154. O elevado número de recidivas das úlceras (66%) constitui um dos problemas na
  155. assistência à portadores de úlceras venosas (CARMO et al., 2007).Nos dias atuais, cada vez
  156. mais é evidenciado a necessidade dos profissionais desenvolverem sua prática embasada em
  157. evidências para produzir resultados efetivos para o paciente e para os serviços, entretanto,
  158. dificuldades ainda são encontradas por parte dos profissionais em conseguirem tal
  159. embasamento (BORGES; CALIRI; HAAS, 2007).
  160. Para Borges (2005) os profissionais implementam condutas buscando a cura da úlcera,
  161. mas nem sempre essas condutas estão amparadas em evidências científicas. Assim, a
  162. diversidade de condutas, muitas vezes, causa no profissional incerteza a respeito da melhor
  163. opção a ser adotada e retrata uma prática fundamentada em um paradigma que valoriza as
  164. observações não sistematizadas, nos mecanismos básicos das doenças e na associação de
  165. experiência pessoal e senso comum.
  166. 10
  167. Dealey (2001) destaca o papel do profissional de enfermagem juntamente com toda a
  168. equipe multidisciplinar sobre o desempenho e responsabilidade no tratamento de
  169. feridasedanecessidade de toda a equipe estar ciente dos avanços recentes e suas implicações,
  170. para que haja um atendimento efetivo e de boa qualidade.
  171. Assim, observa-se que o conhecimento científico fica evidente e necessário para a
  172. promoção de um cuidado de qualidade tanto da equipe de enfermagem quanto da equipe de
  173. saúde em geral.
  174. 11
  175. 2. JUSTIFICATIVA
  176. Percebendo a necessidade dos profissionais se manterem atualizados para oferecer um
  177. cuidado de qualidade embasado cientificamente e também na própria vivência acadêmica e
  178. atuação como enfermeiro da ESF, aondefoi possível conhecer e cuidar de pacientes com
  179. úlceras venosas surgiu o interesse em desenvolver este trabalho revisão da literatura para
  180. ampliar o conhecimento sobre o tema.Acredita-se que este possa ajudar os profissionais a
  181. ampliarem seus conhecimentos,permitindo aosprofissionais se manterem atualizados, além
  182. desubsidiar a escolha das intervenções.
  183. Vê-se também importância de se investigar e descrever quais os temas que vêm sendo
  184. pesquisados e debatidos sobre úlceras venosas por profissionais da área da saúde,
  185. documentados em periódicos de indexação nacional, contribuindo dessa forma para
  186. dimensionar a prática do trabalho desses profissionais.
  187. 12
  188. 3. OBJETIVO
  189. Esta pesquisa visou realizar uma revisão sistemática de estudos a respeito do
  190. tratamento de úlcera venosa com o intuito de responder a um conjunto de questões,
  191. apresentadas na prática clínica como tratamento tópico, úlcera venosa/ insuficiência venosa
  192. crônica e abordagem diagnóstica.
  193. Analisar a produção científica na área da saúde acerca da temática “Úlcera venosa”,
  194. em periódicos brasileiros indexados.
  195. 13
  196. 4. METODOLOGIA
  197. 4.1 Tipo de pesquisa
  198. Trata-se de um estudo descritivo exploratório através de levantamento bibliográfico
  199. com utilização de livros, artigos científicos, publicados em meio eletrônico e impresso
  200. abordando o tema úlcera venosa.
  201. Foi utilizada a revisão sistemática da literatura. Este tipo de pesquisa permite a
  202. prevenção de vieses no processo de inclusão e exclusão dos ensaios clínicos aleatórios, pois
  203. utiliza métodos reprodutíveis que tendem a evidenciar estudos bem desenhados e conduzidos
  204. (ATALLAH; CASTRO, 1997).
  205. 4.2 Material e método
  206. O levantamento bibliográfico foi realizado no mês de julho de 2013, através de
  207. publicações indexadas ou catalogadas nas bases de dados LILACS (Literatura LatinoAmericana e do Caribe em Ciências da Saúde) e SCIELO (A ScientificElectronic Library
  208. Online) e BDENF (Base de Dados de Enfermagem) e Google Acadêmico. Para a busca
  209. bibliográfica, foram usados os descritores ou palavras-chave: úlcera venosa/úlcera varicosa,
  210. cicatrização, insuficiência venosa e enfermagem em cada base de dados.
  211. 4.3 Critérios de inclusão
  212. 1. Publicações realizadas entre junho de 2003 a junho de 2013.
  213. 2. Disponibilidade desses artigos na íntegra.
  214. 3. Disponibilidade desses artigos no idioma português
  215. 4.4 Amostra
  216. A amostra foi composta por 17 artigos selecionados de acordo com os critérios de
  217. inclusão acima descritos.
  218. Após selecionada a amostra, foi realizada uma leitura crítica dos textos e estes foram
  219. enumerados e assim sublinhados os dados relevantes. Em seguida foram realizados resumos
  220. num banco de dados através do Microsoft Word. A lista abaixo identifica os textos que
  221. compõe o objeto de estudo.
  222. 14
  223. 1. OLIVEIRA, R. A.; BARROS JR, N.; MIRANDA JR., F.A variabilidade
  224. hemodinâmica venosa detectada pelos parâmetros da pletismografia a ar nas classes
  225. clínicas da classificação CEAP. Jornal Vascular Brasileiro, Porto Alegre, v. 6, n.
  226. 4, p. 359-365, 2007.
  227. 2. SALIBA JR., O. A.; GIANNINI, M.; ROLLO, H. A. Métodos de diagnóstico
  228. não-invasivos para avaliação da insuficiência venosa dos membros inferiores. Jornal
  229. Vascular Brasileiro, Porto Alegre, v. 6, n. 3, p. 267-276, 2007.
  230. 3. BELCZAK, C. E. Q.et al .Relação entre a mobilidade da articulação talocrural
  231. e a úlcera venosa. Jornal Vascular Brasileiro, Porto Alegre, v. 6, n. 2, p. 149-
  232. 155, 2007.
  233. 4. ABBADE, L. P. F.; LASTORIA, S. Abordagem de pacientes com úlcera da
  234. perna de etiologia venosa. Anais Brasileiros de Dermatologia, Rio de Janeiro, v.
  235. 81, n. 6, p. 509-522, 2006.
  236. 5. ENGELHORN, C. A.et al. A pletismografia a ar avalia a gravidade da
  237. insuficiência venosa crônica? Jornal Vascular Brasileiro, Porto Alegre, v. 3, n. 4,
  238. p. 311-316, 2004.
  239. 6. FIGUEIREDO, M. A. M.; FILHO, A. D.; CABRAL, A. L. S. Avaliação do
  240. efeito da meia elástica na hemodinâmica venosa dos membros inferiores de pacientes
  241. com insuficiência venosa crônica. Jornal Vascular Brasileiro, Porto Alegre, v. 3, n.
  242. 3, p. 231-237, 2004.
  243. 7. FRANÇA, L. H. G.; TAVARES, V. Insuficiência venosa crônica. Uma
  244. atualização. Jornal Vascular Brasileiro, Porto Alegre, v. 2, n. 4, p. 318-328, 2003.
  245. 8. SILVA, L.D.; PAZOS, A. L. A influência da dor na qualidade de vida do
  246. paciente com lesão crônica de pele. Revista Enfermagem UERJ, Rio de Janeiro,
  247. v.13, p.375-381, 2005.
  248. 9. LOPEZ, A. R; ARAVITES, L. B.; LOPES, M. R. Úlcera Venosa. Acta
  249. Médica, Porto Alegre, v.26, p.331-341, 2005.
  250. 10. FRADE, M. A. C.et al.Úlcera de perna: um estudo de casos em juiz de Fora –
  251. MG e região. Anais Brasileiros de Dermatologia, Rio de Janeiro, v. 80, n, 1, p. 35-
  252. 40, 2005.
  253. 11. SILVA, J. L.A.; LOPES, M. J. M. Educação em saúde a portadores de úlcera
  254. venosa através de atividades de grupo. Revista Gaúcha de Enfermagem, Porto
  255. Alegre, v. 27, n. 2, p. 240-250, 2006.
  256. 12. BERGONESE, F. N.; RIVITTI, E. A. Avaliação da circulação arterial pela
  257. medida do índice tornozelo/braço em doentes de úlcera venosa crônica. Anais
  258. Brasileiros de Dermatologia, Rio de Janeiro, v. 81, n. 2, p. 131-135, 2006.
  259. 15
  260. 13. BERSUSA, A. A. S.; LAGES, J. S. Integridade da pele prejudicada:
  261. identificando e diferenciando uma úlcera arterial e uma venosa. Ciência, Cuidado e
  262. Saúde, Maringá, v. 3, n. 1, p. 81-92, 2004.
  263. 14. ABDALLA, S.; DADALTI, P. Uso da sulfadiazina de prata associada ao
  264. nitrato de cério em úlceras venosas: relato de dois casos. Anais Brasileiros de
  265. Dermatologia, Rio de Janeiro, v. 78, n. 2, p. 227-233, 2003.
  266. 15. OLIVEIRA, A. S.; SANTOS, V. L. C.G. Uso de iodóforos tópico em feridas
  267. crônicas: Revisão da literatura. Revista Latino-Americana de Enfermagem,
  268. Ribeirão Preto, v. 15, n. 4, p. 671-676, 2007.
  269. 16. SANTOS, M.J.; VIANNA, L. A. C.; GAMBA, M. A. Avaliação da eficácia da
  270. pomada de própolis em portadores de feridas crônicas. Acta Paulista de
  271. Enfermagem, São Paulo, v. 20, n. 2, p. 199-204, 2007.
  272. 17. BORGES, E. L.; CALIRI, M. H. L.; HASS, Vanderlei José. Revisão
  273. sistemática do tratamento tópico da úlcera venosa. Revisão da literatura. Revista
  274. Latino-Americana de Enfermagem, Ribeirão Preto, v. 15, n. 6, p. 163-170, 2007.
  275. Após a leitura e análise do material selecionado foram criados 03 agrupamentos, os
  276. agrupamentos foram divididos por temas que englobaram; tratamento tópico, úlcera venosa/
  277. insuficiência venosa crônica e abordagem diagnóstica. No entanto, isto não exclui a
  278. possibilidade dos artigos abordarem outros temas, relacionados ou não, na classificação criada
  279. para esta revisão bibliográfica.
  280. Após a leitura seletiva, passou-se a leitura analítica e, posteriormente, a leitura
  281. interpretativa para que fossem construídas a apresentação e discussão dos resultados.
  282. 16
  283. 5. REVISÃO CONCEITUAL E OPERACIONAL
  284. 5.1 Anatomia e fisiologia da pele
  285. A pele é também chamada de tegumento e constitui-se de três camadas distintas:
  286. epiderme, derme e hipoderme ou tecido subcutâneo (BORGES et al, 2001).
  287. A epiderme, camada mais externa da pele é fina e avascular, costuma regenerar-se em
  288. quatro semanas. Sua função básica é manter a integridade da pele e atuar como barreira física
  289. (HESS, 2002), possui quatro camadas distintas: basal, granulosa, espinhosa e córnea.
  290. Apresenta também melanócitos, células de Langerhans, células de Merckel e os anexos
  291. cutâneos, dentre eles os folículos pilosos, glândulas sebáceas, glândulas sudoríparas e as
  292. unhas (JORGE; DANTAS, 2003).
  293. A derme sustenta a epiderme e envolve anexos cutâneos como vasos, nervos e
  294. músculos eretores do pêlo. Mas ela não é um simples envoltório, ela participa ativamente da
  295. nutrição cutânea, do sistema imune pelo tráfego seletivo de células inflamatórias e regula o
  296. tônus muscular. Na derme encontram-se elementos como: fibroblastos e colágeno, fibras
  297. elásticas, substância de fundo, vasos sanguíneos, vasos linfáticos, células inflamatórias,
  298. nervos, músculo liso e esquelético.
  299. O tecido subcutâneo é composto por tecido adiposo e conjuntivo, além de grandes
  300. vasos sanguíneos, nervos e vasos linfáticos (HESS, 2002). Jorge e Dantas (2003) relatam que
  301. o tecido subcutâneo está envolvido na termorregulação, provisão de energia, reserva
  302. nutricional e também papel cosmético.
  303. A pele possui seis funções básicas, as de proteção: a pele atua como barreira física
  304. contra microorganismos e outras substâncias estranhas, protegendo contra infecções e perda
  305. excessiva de líquidos; a de sensibilidade: as terminações nervosas permitem que a pessoa
  306. sinta dor, pressão, calor e frio; a de termorregulação: a pele regula a temperatura corporal
  307. mediante vasoconstrição e sudorese; a de excreção: a pele ajuda na termorregulação, mediante
  308. a excreção de resíduos, como eletrólitos e água; a de metabolismo: a síntese de vitamina D na
  309. pele exposta a luz solar, por exemplo, ativa o metabolismo de cálcio e fosfato, minerais que
  310. desempenham um papel importante na formação óssea e, por fim, a função de imagem
  311. corporal: a pele detalha a nossa aparência, identificando de modo único cada indivíduo
  312. (HESS, 2002).
  313. 17
  314. 5.2 Fisiologia da cicatrização
  315. Segundo Jorge e Dantas (2003), a cicatrização é um processo sistêmico que exige do
  316. organismo uma ativação, produção e inibição de grandes números de componentes
  317. moleculares e celulares que, em seqüência ordenada e contínua, promovem todo o processo de
  318. restauração tissular. A cicatrização é sistêmica, mas o cuidado externo, dispensado à lesão, é
  319. um fator que pode colaborar ou prejudicar o trabalho do organismo.
  320. Após lesão tecidual de qualquer natureza, o organismo desenvolve a cicatrização, que
  321. é um processo complexo, composto por uma série de estágios, interdependentes e
  322. simultâneos, envolvendo fenômenos químicos, físicos e biológicos. Vários processos
  323. celulares contínuos contribuem para restauração da ferida, tais como: regeneração,
  324. proliferação celular e produção de colágeno. O processo de cicatrização envolve a etapa
  325. catabólica, aonde as células são degradadas e a etapa anabólica, aonde há formação de novos
  326. elementos celulares. O processo de cicatrização consiste fases complexas, interdependentes e
  327. sobrepostas descritas como: fase inflamatória, proliferativa e fase de maturação, podendo
  328. haver fatores que otimizem ou retardem estas fases.
  329. A fase inflamatória é caracterizada pelos sinais típicos do processo inflamatório
  330. localizado como dor, rubor, calor, edema e, frequentemente perda da função local, começa no
  331. momento que ocorre a lesão tecidual e se estende por um período de três a seis dias
  332. (BORGES et al., 2001). Hess (2002) caracteriza a fase inflamatória com o controle do
  333. sangramento pela hemostasia, destruição de bactérias presentes por leucócitos granulocíticos,
  334. ação dos macrófagos na destruição das bactérias, limpeza de resíduos celulares e
  335. transformação de macromoléculas em aminoácidos e açucares necessários a cicatrização.
  336. Na segunda fase do processo inflamatório, a proliferativa, a atividade predominante é
  337. a mitose celular que se estende aproximadamente três semanas; a característica básica desta
  338. fase é o desenvolvimento do tecido de granulação composto por capilares e a reconstituição
  339. da matriz extracelular, com a deposição de colágeno, fibronectina e outros componentes
  340. protéicos (JORGE; DANTAS, 2003).
  341. Os macrófagos são importantes na fase proliferativa, eles produzem o fator de
  342. crescimento derivado de plaqueta (FCDP) e o fator de crescimento dos fibroblastos, atraindoos para a ferida e estimulando a se dividir e, mais tarde, a produzir fibras de colágeno
  343. (DEALEY, 2001).
  344. Enquanto o local da ferida é preenchido por tecido de granulação, as bordas se
  345. aproximam, reduzindo a superfície da ferida. Durante a epitelização, etapa final desta fase, as
  346. 18
  347. células migram para as bordas, dividem-se e, em última instância, unem-se umas às outras,
  348. isolando a ferida do ambiente externo (HESS, 2002).
  349. Finalmente a fase de maturação ou reparadora tem início por volta da terceira semana
  350. após a ocorrência da ferida e se estende por até dois anos, dependendo do grau, extensão e
  351. local da lesão. Os eventos que ocorrem nesta fase são a diminuição progressiva da
  352. vascularização, dos fibroblastos, o aumento da força tênsil e reorientação das fibras de
  353. colágeno, o volume da cicatriz gradualmente diminui e a coloração passa de vermelho para o
  354. branco pálido, no entanto, a força original do tecido lesado, jamais será recuperada totalmente
  355. (JORGE; DANTAS, 2003).
  356. 5.2.1 Tipos de cicatrização
  357. O processo de cicatrização de uma ferida pode ocorrer de três formas, levando-se em
  358. consideração os agentes causadores da lesão, a quantidade de tecido perdido e o conteúdo
  359. microbiano. Portanto, o fechamento da ferida ocorre por primeira, segunda ou terceira
  360. intenção. A cicatrização por primeira intenção é a situação ideal para o fechamento das lesões
  361. e está associada a feridas limpas, ocorrendo quando há perda mínima de tecido e é possível
  362. fazer a junção dos bordos da lesão, como conseqüência deixa cicatriz mínima. A cicatrização
  363. por segunda intenção está relacionada a ferimentos infectados e lesões com perda acentuada
  364. de tecido, onde não é possível juntar os bordos da lesão, acarretando em um desvio da
  365. seqüência esperada do reparo tecidual, também há maior produção de tecido de granulação e
  366. maior tempo de epitelização, produzindo uma cicatriz significativa; onde se enquadram as
  367. úlceras venosas. A cicatrização por terceira intenção quando está relacionada a fatores que
  368. retardem o processo de uma lesão inicialmente submetida a fechamento por primeira intenção
  369. (JORGE; DANTAS, 2003).
  370. Para Ribeiro (2003) a cicatrização por primeira intenção ocorre quando incisões
  371. cirúrgicas de espessura total ou outras bordas agudas de lesão com perda mínima de pele são
  372. reaproximadas e suturadas. A cicatrização por segunda intenção ocorre em lesões abertas,
  373. grandes, de espessura total com perca de tecido mole levando mais tempo para cicatrizar; elas
  374. sofrem deposição de colágeno, contração, granulação seguida por epitelização. A cicatrização
  375. por terceira intenção ou fechamento primário retardado ocorre em feridas extensas que estão
  376. altamente contaminadas ou sob o risco de infecção durante a fase inicial da cicatrização, o
  377. monitoramento da cicatrização deve ser monitorado.
  378. 19
  379. 5.3 Tipos de feridas
  380. As feridas agudas são definidas como aquelas que surgem de súbito e têm curta
  381. duração, são exemplos feridas cirúrgicas e as traumáticas, tais como queimaduras; ocorrem
  382. em todas as idades e geralmente cicatrizam com facilidade e sem complicações. As feridas
  383. crônicas são descritas como sendo feridas de longa duração e recorrência freqüente, exemplos
  384. típicos são úlceras de pressão e úlceras de perna, aonde se destacam as úlceras venosas; a
  385. ocorrência é mais provável em idosos ou pacientes com múltiplos problemas sistêmicos,
  386. fatores que interferem e retardam o processo de cicatrização. Contudo, algumas feridas
  387. crônicas teriam sido originalmente feridas agudas que não cicatrizaram durante um longo
  388. período de tempo (DEALEY, 2001).
  389. Dealey (2001) mostra que as feridas têm diversas causas: trauma, intencional,
  390. isquemia e pressão. No ferimento por trauma e intencional, há ruptura de vasos sangüíneos,
  391. resultando um sangramento seguido de formação de coágulos. Nas feridas causadas por
  392. isquemias e pressão, o fornecimento de sangue é interrompido, pela oclusão local da
  393. microcirculação, segue-se a necrose do tecido e formação da úlcera.
  394. Para Ribeiro (2003) as feridas crônicas acontecem quando danos repetidos
  395. interrompem ou destroem a formação dos tecidos, ou quando um ou mais elementos químicos
  396. e celulares do processo de cicatrização são deficientes.
  397. Além de outras características, as feridas crônicas causam muita dor e desconforto ao
  398. paciente, por isso, uma abordagem multiprofissional torna-se necessária, o profissional de
  399. enfermagem assume papel muito importante, uma vez que, passam maior tempo junto ao
  400. paciente (DEALEY, 2001).
  401. A úlcera venosa é destaque entre as feridas crônicas, pois representa cerca de 70 a
  402. 90% dos casos de úlceras de perna, além disso, possui elevado número de recidivas (66%) e
  403. podem proporcionar várias complicações, tais como as repercussões físicas, sociais,
  404. econômicas e emocionais (CARMO et al., 2007).
  405. 5.4 Úlceras Venosas
  406. 5.4.1 Etiologia e fisiopatologia
  407. A insuficiência venosa crônica (IVC) é a causa mais comum das úlceras venosas
  408. (DEALEY, 2001). Para Jorge (2003) a fisiopatologia da IVC é decorrente da insuficiência das
  409. 20
  410. válvulas das veias das pernas e da associação do refluxo de sangue para as veias superficiais.
  411. A falha no mecanismo fisiológico do fluxo venoso desencadeia a hipertensão venosa em
  412. deambulação, afetando a microcirculação, causando danos às paredes, aumento da
  413. permeabilidades das mesmas. Com o aumento da permeabilidade capilar ocorre a liberação de
  414. macromoléculas do seu interior para a pele, provocando alterações cutâneas, que culminam
  415. com a ulceração do tecido.
  416. A insuficiência venosa crônica é definida como anormalidade do funcionamento do
  417. sistema venoso causada por uma incompetência valvular, associada ou não à obstrução do
  418. fluxo venoso, podendo afetar o sistema venoso superficial, venoso ou ambos. Tal disfunção
  419. no sistema venoso resulta no estado de hipertensão venosa (CARMO et al., 2007).
  420. Para França e Tavares (2003) a hipertensão venosa possui dois mecanismos, o
  421. primeiro refere-se à incompetência das válvulas do sistema venoso profundo e comunicante
  422. resultando refluxo; o segundo refere a disfunção da bomba muscular da panturrilha, associada
  423. ou não à disfunção valvular.
  424. A formação da úlcera pode estar associada ao acúmulo de líquido e o depósito de
  425. fibrina no interstício formando manguitos, a deficiência de nutrientes e oxigênio pode
  426. acarretar em ulcerações e necroses. Outro mecanismo referido é a reação entre leucócitos e
  427. moléculas de adesão do endotélio, tal processo pode desencadear inflamação e danos às
  428. válvulas venosas, o que aumenta a susceptibilidade a formação de úlceras (CARMO et al.,
  429. 2007).
  430. Em geral, a úlcera venosa é uma lesão de borda irregular, superficial no início, mas
  431. podendo se tornar profunda, com bordas bem definidas e comumente com exsudato
  432. amarelado; é rara a presença de tecido necrótico e exposição de tendões. A dor é sintoma
  433. freqüente e de intensidade variável, não sendo influenciada pelo tamanho da úlcera, quando
  434. presente, a dor piora ao final do dia com a posição ortostática melhorando com elevação do
  435. membro. Pode ocorrer eczema caracterizado por eritema, descamação, prurido e
  436. ocasionalmente exsudato. Lipodermatoesclerose que consiste no endurecimento da derme e
  437. tecido subcutâneo. Hiperpigmentação da pele caracterizada pela liberação de hemoglobina
  438. após rompimento dos glóbulos vermelhos extravasados. Presença de veias varicosas,
  439. consequência da congestão do fluxo sanguíneo (ABBADE; LASTÓRIA, 2006).
  440. A avaliação física deve estar focada no estado vascular e sinais de IVC tais como:
  441. edema, eczema, hiperpigmentação, espessamento de tornozelo (valor < a 0,9 indica
  442. anormalidade) através da medida do índice tornozelo/braço que permite verificar a
  443. normalidade ou não do suprimento arterial, veias varicosas, dor e outros; e avaliar as
  444. 21
  445. características da úlcera como: localização, profundidade, bordas, leito (avaliar tipo de tecido
  446. predominante de acordo com a cor, aderência e consistência), mensuração (medida
  447. bidimensional), exsudato (são extremamente exsudativas) e dor (leito seco e edema aumentam
  448. a dor) (JORGE, 2003).
  449. 5.4.2 Tratamento das Úlceras Venosas
  450. Terapia compressiva:
  451. A terapia compressiva é usada para diminuir a hipertensão e sua repercussão na macro
  452. circulação e microcirculação. Na primeira aumenta o retorno venoso profundo, diminuindo o
  453. refluxo patológico. Na segunda diminuem a saída de líquidos e moléculas dos capilares e
  454. vênulas (ABBADE; LASTÓRIA, 2006). Esta terapia pode ser obtida com o uso de meias ou
  455. bandagens e essas podem ser classificadas em elásticas ou inelásticas e ter uma ou mais
  456. camadas. As meias de compressão representam um útil e conveniente método para aplicação
  457. de compressão externa em pernas de formato normal com intuito de prevenir o
  458. desenvolvimento ou a recorrências de úlceras de perna, no entanto essas meias têm seu valor
  459. limitado em úlceras ativas. A avaliação física para indicação das meias deve incluir o exame
  460. do membro afetado que pode ser realizado com o auxílio do ultra-som Doppler para estimar o
  461. índice de pressão tornozelo/braço que pode mostrar se o paciente tem um comprometimento
  462. arterial, o que contra-indica o uso de níveis elevados de compressão elevados; outros fatores a
  463. serem avaliados são a mensuração do membro afetado, idade do paciente e a característica da
  464. pele (ABBADE; LASTÓRIA, 2006).
  465. A aplicação de bandagem é a forma mais comum de terapia de compressão, no
  466. entanto, uma dificuldade para seu uso efetivo é que é exigida uma habilidade perfeita na sua
  467. aplicação sendo que a inapropriada aplicação em um membro com circulação prejudicada
  468. pode até levar a amputação do mesmo; a compressão contínua é fornecida pela bandagem que
  469. é removida e reaplicada uma ou duas vezes por semana, dependendo da extensão do edema e
  470. a quantidade de exsudato, esse tipo de bandagem é usado somente em feridas abertas, uma
  471. vez a ferida cicatrizada o paciente deverá usar meia de compressão (BORGES, 2005).
  472. Borges (2005) define o sistema de bandagem de multicamadas como sendo um
  473. sistema que possui alta compressão e cada camada tem uma função e é constituída por
  474. diferentes materiais, a camada um: de lã ortopédica absorve o exsudato e permite a
  475. evaporação da umidade; a camada dois: de crepe comum que retêm a camada de lã
  476. ortopédica; a camada três: elástica de peso leve produz uma compressão de 18-20mmHg e
  477. 22
  478. camada 4 aderente para manter todas as camadas anteriores e acrescenta uma pressão
  479. adicional de 22-25mmHg. A bandagem elástica de longa extensão expande quando os
  480. músculos da panturrilha contraem, durante os exercícios, dissipando a força exercida pela
  481. contração do músculo. A bandagem inelástica de curta extensão proporciona que a pressão
  482. exercícios pelos músculos da panturrilha é dirigida de volta para a perna, maximizando o
  483. retorno venoso (BORGES, 2005).
  484. A bandagem inelástica de pasta de Unna consiste na atadura impregnada com óxido de
  485. zinco criando um molde semi-sólido, existe também a bota de Unna modificada, menos
  486. rígida, ambas criam alta pressão com a contração muscular e pequena pressão ao repouso,
  487. tanto a tradicional quanto a modificada devem ser usada durante 7 dias. São pontos favoráveis
  488. a confortabilidade, proteção e desfavoráveis a inadequação diante de feridas exsudativas e
  489. mudança de pressão ao longo do tempo (ABBADE; LASTÓRIA, 2006).
  490. A compressão pneumática é um método mecânico e tem sido utilizado para membros
  491. edemaciados, decorrente de linfedema, antes de iniciar a terapia de compressão graduada, esse
  492. método é útil em pacientes que o músculo da panturrilha não pode ser ativado para
  493. eficazmente ajudar o retorno venoso, entretanto, a duração, freqüência apropriada e a
  494. diferença entre seus tipos ainda são desconhecidas (BORGES, 2005).
  495. .
  496. Terapia local:
  497. A limpeza da ferida deve ser feita com soro fisiológico, não sendo usadas soluções
  498. anti-sépticas, pois elas são citotóxicas. Após limpeza, a ferida deve ser avaliada quanto a
  499. tecidos inviáveis, quantidade de exsudato e sinais de infecção. Se houver a necessidade de
  500. desbridamento, deve ser feito com curativo oclusivo com hidrogel ou hidrocolóide sendo este
  501. método chamado de autolítico; o método químico é feito através de aplicação de colagenase e
  502. papaína e o método mecânico através de instrumento cirúrgico, tal método não é indicado,
  503. pois também desbrida o tecido viável (ABBADE; LASTÓRIA, 2006).
  504. Segundo Borges (2005) a limpeza adequada é capaz de remover do leito da lesão o
  505. tecido necrótico liquefeito, exsudato, corpos estranhos, incluindo restos da cobertura anterior,
  506. criando um ótimo ambiente para cicatrização. A solução fisiológica 0,9% é a mais indicada
  507. por ser uma solução isotônica, ter o mesmo pH do plasma, não interfere no processo de
  508. cicatrização normal, não provoca de reações de sensibilização e não altera a microbiota da
  509. pele.
  510. A cobertura para úlcera venosa deve ser capaz de remover o excesso de exsudato da
  511. ferida, fornecer um micro-ambiente úmido, ser estéril e livre de contaminantes, reduzir a dor
  512. 23
  513. da úlcera, ser fácil de trocar, não causar reação alérgica, fornecer um isolamento térmico e
  514. não causar traumas na remoção.
  515. Em relação às coberturas, Carmoet al. (2007) descreve o hidrocolóide como sendo um
  516. composto formado por pectinas, carboximetilcelulose sódica e gelatina revestida por camada
  517. de poliuretano, são indicadas para feridas com pouco a moderado exsudato e aumentam a
  518. capacidade de absorção. Já o alginato de cálcio é composto por fibras naturais de alginato de
  519. cálcio e sódio, derivados de algas marinhas marrons; são indicadas para feridas com
  520. moderado a muito exsudato, auxiliam o desbridamentoautolítico e faz hemostase. Ao passo
  521. que o hidrogel é composto por carboximetilcelulose e propilenoglicol, partícula de alginato de
  522. cálcio; é indicado para feridas com necrose e realizam desbridamentoautolítico.
  523. A espuma de poliuretano com prata é composta de almofada de espuma de camadas
  524. sobrepostas de não-tecido e hidropolímero, revestida por poliuretano e prata; é indicado para
  525. feridas moderada a alta exsudação, infectada e/ou estagnadas, absorve o exsudato, trata a
  526. infecção e estimula o desbridamentoautolítico. Já o carvão ativado é composto por partículas
  527. de carvão impregnadas com íons de prata; é indicado para feridas infectadas ou que drena
  528. moderado ou abundante exsudato, tem ação bactericida da prata e elimina odores
  529. desagradáveis devido a capacidade de filtração (CARMO et al., 2007).
  530. Tratamento cirúrgico
  531. O tratamento cirúrgico da anormalidade venosa visa eliminar ou diminuir a
  532. transmissão da alta pressão venosa para as áreas ulceradas. Recentemente tem-se
  533. desenvolvido a técnica de ligadura endoscópica subfacial de perfurantes insuficientes na
  534. região da panturrilha, os resultados tem sido variáveis, a falha na cicatrização ou recorrência
  535. fica entre 2% e 22% (ABBADE; LASTÓRIA, 2006).
  536. A indicação de cirurgia para a cura de úlcera venosa depende da conjugação entre a
  537. avaliação diagnóstica, exames específicos esclarecedores e estratégia cirúrgica bem definida.
  538. Em pacientes com comprometimento do sistemas venosos superficial e profundo, a indicação
  539. cirúrgica é controversa; em pacientes com comprometimento do sistema venoso superficial
  540. isolado, a cirurgia venosa colabora para a cicatrização da úlcera(LOPEZ; ARAVITES;
  541. LOPES (2005).
  542. 24
  543. 6. RESULTADOS E DISCUSSÕES
  544. A revisão da literatura foi feita considerando as 17 produções que atenderam aos
  545. critérios de inclusão.Visando explicitar melhor o ano de publicação de cada artigo, foi
  546. confeccionada a tabela que se segue.A tabela 1 mostra os agrupamentos de acordo com os
  547. temas.
  548. Tabela 1 – Distribuições das produções científicas de acordo com os temas. Campos Gerais, 2014.
  549. TEMAS ARTIGOS
  550. Úlceras venosas e insuficiência venosa crônica (aspectos gerais) 4, 7, 8, 9, 10, 11 e 13
  551. Abordagem diagnóstica 1, 2, 3, 5, 6 e 12
  552. Tratamento tópico de úlceras venosas 14,15,16 e 17
  553. TOTAL 17
  554. Tabela 2– Distribuição da amostra segundo o ano de publicação das produções científicas. Campos
  555. Gerais, 2014.
  556. ANO Nº %
  557. 2003 02 11,76
  558. 2004 03 17,65
  559. 2005 03 17,65
  560. 2006 03 17,65
  561. 2007 06 35,29
  562. TOTAL 17 100%
  563. O ano de 2007 foi o que apresentou mais publicações perfazendo um total de 35,29%
  564. destas. Os anos de 2004, 2005 e 2006 representaram um total de 17,65% cada um e o ano de
  565. 2008, não foi encontrada nenhuma publicação (Tabela 2).
  566. A Tabela 3 mostra a frequência e a porcentagem de acordo com cada veículo de
  567. divulgação.
  568. 25
  569. Tabela 3– Distribuição das produções científicas segundo o veículo de divulgação. Campos Gerais,
  570. 2014.
  571. Veículo de divulgação Nº %
  572. Jornal Vascular Brasileiro 06 35,29
  573. Anais Brasileiros de Dermatologia 04 23,53
  574. Revista latino-americana de Enfermagem 02 11,76
  575. Acta Paulista de Enfermagem 01 5,88
  576. Revista Gaúcha de Enfermagem 01 5,88
  577. Ciência, Cuidado e Saúde 01 5,88
  578. Acta Médica 01 5,88
  579. Revista Enfermagem UERJ 01 5,88
  580. TOTAL 17 100%
  581. Observa-se que a maior porcentagem, ou seja, 35,29% (06 artigos) foi publicada pelo
  582. Jornal Vascular Brasileiro, logo em seguida Anais Brasileiros de Dermatologia com 23,53%
  583. (04 artigos) publicados. Observa-se também, que 64,71% (11 artigos) foram publicados em
  584. periódicos provenientes da Medicina e 35,29% (06 artigos) são de periódicos provenientes da
  585. área de Enfermagem.
  586. A Tabela 4 mostra as publicações de acordo com as regiões e estados que foram
  587. publicados.
  588. Tabela 4– Distribuição das publicações científicas de acordo com o local de origem da pesquisa.
  589. Campos Gerais, 2014.
  590. Estados Nº %
  591. São Paulo 07 41,19
  592. Minas Gerais 04 23,53
  593. Rio de Janeiro 02 11,76
  594. Paraná 02 11,76
  595. Rio Grande do Sul 02 11,76
  596. TOTAL 17 100%
  597. 26
  598. Observa-se quanto aos estados, que São Paulo apresentou a maior porcentagem com
  599. 41,19 (07 artigos), seguido por Minas Gerais com 23,53% (04 artigos) e com 11,76% (02
  600. artigos) cada um estão os estados do Paraná, Rio de Janeiro e Rio Grande do Sul.
  601. Analisando as publicações pelas regiões temos a ampla vantagem da região Sudeste
  602. com 76,47% (13 artigos), seguida por 23,53% (04 artigos) da região Sul e não foram
  603. encontrados artigos publicados das regiões Nordeste, Norte e Centro-Oeste.
  604. Dentro da amostra, 04 tipos de pesquisa foram desenvolvidos pelos seus autores, a
  605. Tabela 5 mostra quais são os tipos.
  606. Tabela 5 – Distribuição das publicações científicas quanto ao tipo de pesquisa desenvolvida. Campos
  607. Gerais, 2014.
  608. Tipo de pesquisa Nº %
  609. Pesquisa clínica 08 47,06
  610. Revisão bibliográfica 07 41,19
  611. Relato de caso 01 5,88
  612. Estudo em grupo educativo 01 5,88
  613. TOTAL 17 100%
  614. Observa-se que, a maioria das publicações (47,06%) envolve a pesquisa clínica,
  615. seguido por 41,19% que envolve a revisão bibliográfica.
  616. A pesquisa do tipo revisão ou bibliográfica consiste no conjunto de materiais
  617. escritos/gravados, mecanicamente ou eletronicamente, que contém informações já
  618. publicadas/elaboradas por outros autores (SILVA; SILVEIRA, 2006).
  619. Para Polit e Hungler (1995) a pesquisa clínica envolve estudos experimentais aonde o
  620. pesquisador possui controle sobre a variável independente, ou conscientemente varia esta
  621. variável e, posteriormente, observa seu efeito sobre a variável que lhe interessa; os estudos
  622. quase-experimentais se parecem muito com os experimentais, no entanto, carecem do aspecto
  623. de distribuição aleatória ou grupo de controle e os estudos não-experimentais que são estudos
  624. aonde os pesquisadores desejam o mínimo ou até a não manipulação dos sujeitos envolvidos
  625. na pesquisa, dentro desse tipo de estudo está a pesquisa descritiva, cujo propósito é o de
  626. descrever, observar e explorar aspectos de uma situação.
  627. Em relação aos estudos com grupos educativos, Polit e Hungler (1995) descrevem
  628. como sendo pesquisa qualitativa que busca a descrição e exploração de fenômenos, que
  629. 27
  630. pretendem examinar as práticas, comportamentos, crenças e atitudes das pessoas ou grupos e
  631. possuem a capacidade de fornecer uma compreensão de fenômenos sociais. Já os relatos de
  632. casos são descritos como investigações em profundidade de uma pessoa ou grupo, uma
  633. característica é a profundidade possível, quando está sendo investigada uma quantidade
  634. limitada de pessoas, instituições ou grupos.
  635. A tabela 6mostra as instituições de ensino que contribuíram com suas publicações para
  636. a construção dessa amostra.
  637. Tabela 6 – Distribuição daspublicações científicas segundo as instituições de ensino. Campos Gerais,
  638. 2014.
  639. Instituição Número %
  640. UNESP/BOTUCATU – Universidade Estadual Paulista - Campus
  641. Botucatu – SP
  642. 02 11,76
  643. UNIFESP – Universidade Federal de São Paulo – SP 02 11,76
  644. USP – Universidade de São Paulo – SP 02 11,76
  645. UFMG – Universidade Federal de Minas Gerais – MG 01 5,88
  646. PUCPR – Pontifícia Universidade Católica do Paraná – PR 01 5,88
  647. FAMERP – Faculdade de Medicina de São José do Rio Preto – SP 01 5,88
  648. IDPC – Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia – SP 01 5,88
  649. UERJ – Universidade Estadual do Rio de Janeiro – RJ 01 5,88
  650. UFPR – Universidade Federal do Paraná – PR 01 5,88
  651. UFJF – Universidade Federal de Juiz de Fora – MG 01 5,88
  652. UFU – Universidade Federal de Uberlândia – MG 01 5,88
  653. PUCRS – Pontifícia Universidade Católica do Rio Grande do Sul – RS 01 5,88
  654. UFRJ – Universidade Federal do Rio de Janeiro – RJ 01 5,88
  655. UFRGS – Universidade Federal do Rio Grande do Sul – RS 01 5,88
  656. TOTAL 17 100%
  657. Houve diversidade das instituições de ensino cujas publicações compõem a amostra,
  658. somente 03 instituições publicaram 02 artigos cada, as demais instituições publicaram 01
  659. artigo cada. Isso demonstra que as publicações não estão concentradas em poucos lugares,
  660. como acontece na distribuição por regiões e fica claro que as instituições investem em
  661. pesquisas.
  662. 28
  663. 6.1 – Úlceras venosas e insuficiência venosa crônica (aspectos gerais)
  664. Lopez, Aravites e Lopes (2005) desenvolveram seu estudo através de uma revisão
  665. bibliográfica sobre manejo da úlcera venosa. Em relação a etiologia, o estudo destaca a
  666. insuficiência venosa crônica (IVC) provocada por alterações nos sistemas venosos profundo,
  667. perfurante/comunicante, superficial e valvular. A hipótese mais aceita da fisiopatologia da
  668. úlcera preconiza que a formação do edema intersticial é devido ao aumento da pressão
  669. hidrostática do plexo venoso superficial que carrega proteínas, eritrócitos e fatores de
  670. coagulação para o interstício, esse acúmulo dificulta a difusão de oxigênio e nutrientes,
  671. provocando anoxia tecidual, morte celular e consequente ulceração.
  672. Neste estudo, o diagnóstico para mais de 75% dos casos de úlceras venosas, é feito
  673. através de critérios clínicos aonde podem ser observados se a úlcera desenvolve exsudato,
  674. hiperemia, hipertermia, aparência dos bordos, edema, prurido, eczema, dor e vitalidade
  675. tecidual. Alguns examescomo a medida do índice de tornozelo/braço, o eco-Dopler e os
  676. métodos pletismográficos são indicados como exames complementares no diagnóstico.
  677. Quanto ao tratamento, os objetivos incluem o alívio da dor, redução do edema, cicatrização da
  678. úlcera e prevenção da recidiva. A elevação dos membros inferiores acima do nível do coração
  679. 3 a 4 vezes por dia permite o alívio do edema e melhora a microcirculação, ainda para a
  680. prevenção da recidiva, segundo o autor, a terapia compressiva é uma combinação entre
  681. simplicidade e eficiência para o tratamento de feridas abertas não infectadas ou nas úlceras
  682. cicatrizadas, sendo que as meias elásticas são mais usadas e possuem mais benefícios que as
  683. meias inelásticas.
  684. Em relação às coberturas Lopez, Aravites e Lopes (2005) informaram que, o
  685. tratamento tópico visa a promoção de ambiente favorável ao crescimento celular e aceleração
  686. do processo cicatricial, sendo que a escolha do curativo deve visar a manutenção da ferida
  687. limpa, absorção do exsudato, manutenção do meio úmido, isolamento térmico, isenção de
  688. toxicidade e facilidade para manuseio, aplicação e remoção. São destacadas as coberturas de
  689. hidrocolóide que favorece o debridamentoautolítico e deve ser aplicada em úlceras livre de
  690. infecção; o alginato de cálcio que absorvem a exsudação das feridas estáindicado para úlceras
  691. com exsudato moderado a intenso; carvão ativado impregnado com prata, usado em feridas
  692. infectadas, aonde a cobertura é capaz de absorver elementos químicos liberados que
  693. provocam odor. Em relação ao tratamento medicamentoso o estudo propõe que em caso de
  694. suspeita de feridas infectadas com secreção purulenta, deve-se colher material para exame de
  695. Gram + e -, com cultura e antibiograma, para selecionar o antibiótico específico. O estudo
  696. 29
  697. finaliza destacando a importância da relação com o paciente, conscientizando-o do seu papel
  698. fundamental no tratamento e prevenção das complicações.
  699. França e Tavares (2003) fizeram em seu estudo uma atualização sobre a insuficiência
  700. venosa crônica (IVC), que por definição é uma anormalidade do funcionamento do sistema
  701. venoso causada por uma insuficiência valvular, associada ou não à obstrução do fluxo venoso,
  702. podendo afetar o sistema superficial, profundo ou ambos. O sistema venoso é um sistema de
  703. capacitância, funcionando como um reservatório sanguíneo e que tem a função de carrear o
  704. sangue desoxigenado de volta ao coração. As veias da panturrilha em associação com os
  705. tecidos circundantes formam uma unidade funcional conhecida como bomba muscular ou
  706. coração periférico, que atua na drenagem do sangue venoso durante o exercício.
  707. A primeira classificação da IVC foi proposta por Widmer (1990) e tinha desvantagens
  708. como a natureza não específica do estágio I e a ausência da diferenciação entre as alterações
  709. tróficas no estágio II. Após esta classificação, surgiu a classificação de Porter e Moneta (apud
  710. França e Tavares, 2003).
  711. Devido a necessidade de maior especificidade foi criada a classificação clínica da
  712. CEAP (Clinicalsigns; Etiology; Anatomicdistribution; Pathophysiology), conforme mostra o
  713. quadro a seguir publicado por Porter e Moneta (apud França e Tavares, 2003).
  714. Classificação Características
  715. CLASSIFICAÇÃO CLÍNICA (C)
  716. Classe 0 (C0) Sem sinais visíveis de doença venosa
  717. Classe 1 (C1) Telangiectasias ou veias reticulares
  718. Classe 2 (C2) Veias Varicosas
  719. Classe 3 (C3) Edema
  720. Classe 4 (C4) Alterações de pele
  721. Classe 5 (C5) Alterações de pele com úlcera cicatrizada
  722. Classe 6 (C6) Alterações de pele com úlcera ativa
  723. CLASSIFICAÇÃO ETIOLÓGICA (E)
  724. EC Congênita
  725. EP Primária
  726. ES Secundária
  727. CLASSIFICAÇÃO ANATÔMICA (A)
  728. AS Veias superficiais
  729. AD Veias Profundas
  730. AP Veias perfurantes
  731. 30
  732. CLASSIFICAÇÃO FISIOPATOLÓGICA (P)
  733. PR Refluxo
  734. PO Obstrução
  735. PR, O Refluxo e obstrução
  736. Abbade e Lastória (2006) realizaram uma revisão que discute a abordagem diagnóstica
  737. e terapêutica das úlceras venosas, que apesar da importância e alta prevalência,
  738. frequentemente são negligenciadas e abordadas de maneira inadequada. Segundo este artigo,
  739. o diagnóstico clínico da úlcera venosa baseia-se na história e exame físico, quanto à história
  740. deve ser investigado presença de varizes, episódio de trombose venosa profunda, fratura de
  741. membro inferior tratado com gesso e repouso prolongado ao leito. Quanto ao exame físico, a
  742. dor é um sintoma frequente e de intensidade variável, não sendo influenciada pelo tamanho da
  743. úlcera, em geral, é ferida de forma irregular, superficial no início, podendo tornar profundo; a
  744. pele ao redor da úlcera pode apresentar hiperpigmentação, eczema, prurido,
  745. lipodermatoesclerose e presença de veias varicosas. A ultra-sonografia Doppler deve ser
  746. utilizada para afastar ou confirmar o comprometimento arterial. Uma vez que o diagnóstico
  747. clínico da úlcera esteja estabelecido, é necessário realizar exames complementares para se
  748. avaliar as alterações anatômicas e funcionais do sistema venoso. Para a abordagem terapêutica
  749. são fundamentais os diagnósticos clínicos e laboratoriais corretos, além do diagnóstico e
  750. tratamento das complicações que pode ser infecção das partes moles, dermatite de contato,
  751. osteomielite e transformação neoplásica.
  752. Bersusa e Lages (2004) realizaram um estudo que visa diferenciar uma úlcera arterial
  753. de uma úlcera venosa, para que cada uma receba o tratamento adequado. O estudo foi
  754. realizado no Instituto Dante Pazzanese de Cardiologia (IDPC), a amostra foi constituída de
  755. todos os pacientes internados de janeiro à abril de 1998, que apresentavam integridade da pele
  756. prejudicada em membros inferiores relacionado à interrupção parcial ou total do fluxo venoso
  757. ou arterial, caracterizada pela presença de úlcera. O exame físico para a coleta de dados foi
  758. realizado observando as características da úlcera como: borda da lesão, dor, presença de
  759. secreção e coloração do fundo da úlcera. Com relação a área adjacente foi observado:
  760. coloração, hidratação, temperatura da pele e presença de edema. Para esses autores Bersusa e
  761. Lages (2004) as úlceras venosas apresentaram características como: dor moderada, prurido,
  762. temperatura quente, lesão superficial, lesão grande, descamação, pele fibrótica, bordas
  763. irregulares e elevadas, edema e depósito de hemossiderina; já as úlceras arteriais têm como
  764. características: atrofia muscular, rarefação de pêlos, extrema dor, temperatura fria, lesão
  765. 31
  766. trófica, lesão profunda, área de gangrena, pele atrófica (brilhante), ausência de edema e
  767. bordas regulares e rasas.
  768. A análise dos resultados do estudo deBersusa e Lages (2004) mostrou que foram
  769. avaliados 17 pacientes, 09 apresentavam interrupção do fluxo arterial e 08 interrupção do
  770. fluxo venoso. Quanto às características das úlceras, a primeira abordagem foi sobre a
  771. regularidade da borda da lesão, 60% dos pacientes com comprometimento do fluxo venoso
  772. apresentaram úlceras com bordas irregulares, enquanto que 58% dos pacientes com
  773. comprometimento do fluxo arterial tem úlceras com bordas regulares. Quanto a dor,
  774. observaram na prática diária que as úlceras arteriais apresentam dores maiores que as úlceras
  775. venosas, mas neste estudo, ambos os tipos apresentaram os mesmo escores. Em relação à
  776. dimensão, a mensuração mostrou que as úlceras arteriais são menores tanto em largura quanto
  777. em comprimento enquanto que as venosas são mais extensas. A pele adjacente à úlcera
  778. venosa apresentou características como lipodermatoesclerose, hiperpigmentação e edema em
  779. 80% dos casos, enquanto que nas úlceras arteriais a pele exibe um brilho característico,
  780. comum à peles atróficas além de serem secas e descamativas. O estudo conclui que úlceras
  781. venosas e arteriais possuem características distintas e que condutas diferentes devem ser
  782. adotadas visando a cicatrização da lesão, para isso, os profissionais de saúde devem saber
  783. avaliar e diferenciar os dois tipos de lesão.
  784. Silva e Pazos (2005) realizaram um levantamento bibliográfico realizado na biblioteca
  785. regional de medicina sobre a produção científica acerca da temática qualidade de vida e como
  786. ela é influenciada pela dor, proveniente de lesão crônica de pele, em especial portadores de
  787. úlceras venosas. O levantamento foi realizado em agosto de 2004 na base de dados Medline
  788. 1993-2004. Dentre os artigos analisados por este autor, destacaram-se: o estudo de Walshe
  789. (1995) que descreve as experiências descritas por pacientes com úlceras venosas e constou-se
  790. que a dor foi a pior experiência vivida pelos pacientes e concluiu que os sintomas causam
  791. restrições significativas na vida das pessoas, particularmente comprometendo a locomoção.
  792. Em pesquisa de Franks (1998) foi avaliada a correlação entre idade e sexo de pacientes com
  793. úlceras venosas e o impacto na qualidade de vida, concluiu-se que as úlceras de perna têm
  794. grande impacto na qualidade de vida e pacientes masculinos mais novos sofrem um impacto
  795. maior, principalmente em dor, sono, isolamento social e energia. Loftus (2001) apresentou um
  796. estudo que comparava as mudanças na qualidade de vida de pacientes com úlceras venosas
  797. submetidos a tratamento curativo com bandagens e aos submetidos a tratamento cirúrgico; o
  798. estudo concluiu que o tratamento com bandagens curativas apresentou índices de melhora da
  799. 32
  800. dor e da qualidade de vida sutilmente mais elevados que os pacientes submetidos a tratamento
  801. cirúrgico.
  802. Após a análise dos estudos da amostra, Silva e Pazos (2005) concluíram que a
  803. abordagem dos aspectos subjetivos dos pacientes, que era menos valorizada, considerada
  804. secundária em relação aos parâmetros objetivos da doença; tem sido mais utilizada com a
  805. introdução da qualidade de vida na pesquisa e prática assistencial. Tratar a dor implica uma
  806. abordagem ampla, significa reabilitar o paciente globalmente, integrando-o à sociedade e
  807. proporcionando melhora na qualidade de vida e o profissional de saúde assume papel
  808. fundamental para que durante o tratamento não seja tratado somente a úlcera e sim o paciente
  809. como um todo.
  810. Frade et al (2005) buscou em seu estudo caracterizar clínica e epidemiologicamente a
  811. amostra populacional com úlcera de perna atendida nos centros de saúde de Juiz de Fora.
  812. Foram avaliados 124 pacientes, os casos foram coletados nos ambulatórios do Hospital
  813. Universitário da UFJF e Pronto Atendimento Médico da Prefeitura Municipal de Juiz de Fora,
  814. além de 04 Unidades Básicas de Saúde. A amostra apresentou média de idade de 64 anos; em
  815. relação à renda familiar 59,7% relataram renda de 01 a 03 salários mínimos; em relação a
  816. história clínica do paciente, foram investigadas as doenças frequentemente associadas à
  817. úlceras de perna, como insuficiência venosa presente em 90,3%, hipertensão arterial sistêmica
  818. (HAS) em 54%, obesidade (20,2% e diabetes (16,1%); quanto a classificação das úlceras,
  819. 79% foram classificadas como venosas; em relação a sinais e sintomas, a maioria dos
  820. pacientes apresentaram hipercromia(92,7%); em relação a cronicidade das úlceras, o tempo
  821. médio de existência foi de 94 meses, sendo que cerca de 73% apresentavam úlceras abertas há
  822. mais de 01 ano, em 50% da amostra tratava-se do primeiro episódio de ulceração e na outra
  823. metade recidiva. O estudo concluiu que as úlceras de perna constituem um importante agravo
  824. à saúde entre os casos analisados em Juiz de Fora e região, principalmente as do tipo venoso,
  825. pois trata-se de uma enfermidade longa e recidivante, em geral associada a outras
  826. enfermidades crônicas, acometendo essencialmente idosos de baixa renda.
  827. Silva e Lopes (2006) desenvolveram um estudo que visou trabalhar a educação em
  828. saúde em portadores de úlcera varicosa através de atividade de um grupo educativo. O local
  829. em que foi desenvolvido o trabalho foi o Pronto Atendimento de Porto Alegre, referência no
  830. tratamento de pacientes com úlcera varicosa. No entanto, o foco de tratamento é centrado na
  831. técnica e abordagens curativas, o que acaba fragmentando o cuidado e não levando em conta
  832. outros fatores como o contexto social, cultural, psicológicos e compreensão sobre seu
  833. problema de saúde; nesse sentido foi organizado um grupo que funcionaria como atividade
  834. 33
  835. paralela e complementar ao processo assistencial, além dos pacientes participaram do grupo
  836. as autoras do estudo, a enfermeira responsável pelo setor, nutricionista e assistente social. O
  837. primeiro encontro serviu para que os membros do grupo pudessem conhecer e identificar
  838. problemas de incômodo imediato fossem expressados; no segundo encontro os participantes
  839. fizeram uma análise de quais problemas que mais afligiam o seu dia-a-dia; no terceiro
  840. encontro foi abordado os aspectos da funcionalidade da circulação do membros inferiores,
  841. fatores que levaram ao aparecimento de úlceras venosas e formas de auto-cuidado, o encontro
  842. foi finalizado com a avaliação do aprendizado através de relato dos participantes; no quarto
  843. encontro alguns aspectos da fisiologia foram retomados e posteriormente foi abordado os
  844. fatores facilitadores e dificultadores da cicatrização e no quinto encontro foi abordado o uso
  845. da terapia compressiva, aspectos nutricionais, aspectos da dor, tratamento medicamentoso,
  846. aspectos emocionais e participação da família.
  847. A conclusão do estudo de Silva e Lopes (2006) foi uma avaliação positiva, sendo
  848. relatado pelos participantes que os temas abordados foram de grande importância e que as
  849. dinâmicas utilizadas promoveram o aprendizado, pois foi objetiva e com o nível de
  850. comunicação acessível. O desenvolvimento de atividades de grupo, possibilitou a realização
  851. de educação em saúde, papel fundamental do enfermeiro no processo de cuidado. Pretendeuse com o trabalho desenvolvido, que os portadores de úlceras varicosas assumissem a
  852. responsabilidade conjunta pelo seu bem-estar e adotassem uma postura mais adequada no seu
  853. cuidado à saúde.
  854. 6.2 – Abordagem diagnóstica
  855. O diagnóstico dasdoenças venosas crônicas é eminentemente clínico, através da
  856. anamnese e exame físico. Como exames complementarestem-se o doppler de ondas contínua,
  857. apletismografia venosa, a flebografia (FRANÇA; TAVARES, 2003).
  858. Dos seis artigos que abordaram o tema diagnóstico, quatro (67%) utilizaram a
  859. pletismografia como exame complementar (SALIBA JR.; GIANNINI; ROLLO, 2007;
  860. FIGUEIREDO; FILHO; CABRA, 2004; ENGELHORN, 2004; OLIVEIRA; BARROS;
  861. MIRANDA JR., 2007).
  862. Saliba Jr.; Giannini; Rollo, 2007, realizaram um estudo de revisão destacando os
  863. métodos de diagnósticos não-invasivos para avaliação da insuficiência venosa dos membros
  864. inferiores. O estudo mostrou que a avaliação clínica dos indivíduos com insuficiência venosa
  865. apesar de ser importante, por si só não identifica os sistemas envolvidos ou níveis anatômicos,
  866. 34
  867. para uma avaliação mais detalhada e precisa, além do exame físico, devem ser empregados
  868. exames complementares que podem ser invasivos ou não-invasivos. Finalizaram seu estudo
  869. salientando que o mapeamento dúplex (MD) é considerado padrão-ouro dentro dos métodos
  870. não-invasivos, pois permite avaliação quantitativa e qualitativa. Mas quando não é possível
  871. realizar o MD, deve ser utilizado a fotopletismografia ou a pletismografia a ar que também
  872. são métodos úteis na avaliação da doença venosa.
  873. Figueiredo, Filho e Cabral (2004) desenvolveram um estudo cujo objetivo era avaliar,
  874. através da pletismografia a ar (PGA), o efeito que o uso das meias de compressão elástica
  875. exerce na hemodinâmica venosa dos pacientes com estágio avançado de insuficiência venosa.
  876. A pletismografia a ar foi o método escolhido para a realização deste estudo, o exame foi
  877. realizado antes dos pacientes usarem a meia elástica, usando a meia elástica e sem a meia
  878. após ter retirado. A análise dos resultados mostraram que as meias tiveram melhor atuação em
  879. pacientes com IVC primária em comparação com pacientes portadores de IVC secundária; O
  880. estudo também concluiu que a meia tem maior atuação em pacientes com comprometimento
  881. do sistema venoso superficial (IVC primária), ao passo que, em pacientes com
  882. comprometimento do sistema venoso profundo (IVC secundária) a meia não alterou
  883. estatisticamente as variáveis, demonstrando a pouca ação da meia no sistema venoso profundo
  884. em acordo com a literatura.
  885. Já o estudo de Engelhorn et al (2004) buscou determinar quais parâmetros
  886. pletismográficos permitiam a diferenciação entre as classes leve, moderada e grave da
  887. insuficiência venosa crônica (IVC), de acordo com a classificação clínica da CEAP. A análise
  888. dos dados mostrou que na comparação entre os grupos em estudo, não houve diferença
  889. estatisticamente nos parâmetros pletismográficos entre os graus leve (grupo A) e moderado
  890. (grupo B) da insuficiência venosa crônica. No entanto, quando comparado o grupo C (IVC
  891. grave) aos grupos A e B, observou-se diferença estatisticamente significativa nos valores da
  892. taxa de enchimento venoso médio (TEV90) e índice de enchimento venoso (IEV), os outros
  893. parâmetros pletismográficos não mostraram diferença significativa.Os autores Engelhorn et al
  894. (2004) concluíram que a pletismografia a ar é um método não-invasivo que fornece dados
  895. hemodinâmicos globais do sistema venoso e da função da bomba muscular que são úteis para
  896. avaliação da insuficiência venosa crônica. Além disso, os parâmetros pletismográficos IEV e
  897. TEV90 apresentam-se capazes de determinar a gravidade clínica da doença venosa.
  898. Oliveira, Barros Jr. e Miranda Jr. (2007) desenvolveram um trabalho com o objetivo
  899. de avaliar a variabilidade hemodinâmica dos parâmetros da pletismografia a ar (PGA) nas
  900. classes clínicas da CEAP. A pletismografia a ar foi utilizada em 230 pacientes, resultando em
  901. 35
  902. 310 membros inferiores estudados. O estudo de Oliveira, Barros Jr. e Miranda Jr. (2007)
  903. concluiu que o índice de enchimento venoso (VFI) foi o melhor parâmetro pletismográfico
  904. para avaliação dos pacientes com insuficiência venosa crônica e tem grande variabilidade
  905. hemodinâmica nas diversas classes clínicas da CEAP, dessa forma é possível avaliar pacientes
  906. com maior e menor gravidade da doença na mesma classe clínica da CEAP, permitindo assim
  907. quais membros devem ser priorizados. Além destes dados a pletismografia a ar pode fornecer
  908. dados quanto à utilização de medidas compressivas.
  909. Bergonese e Rivitti (2006) realizaram um estudo com objetivo de detectar alterações
  910. arteriais em pacientes com úlcera venosa crônica dos membros inferiores com emprego de
  911. método não-invasivo, de modo a identificar os casos em que estaria contra-indicado o uso de
  912. terapia compressiva. Foram estudados 40 pacientes, a avaliação da doença arterial periférica
  913. foi feita pela medida do índice tornozelo/braço por Dopplerultra-som.O estudo concluiu que a
  914. correlação positiva observada entre hipertensão arterial e índice tornozelo/braço recomenda a
  915. obtenção do índice T/B e a avaliação da doença arterial periférica em doentes com úlcera
  916. venosa associada à hipertensão, avaliando assim, a possibilidade ou não de se utilizar o
  917. tratamento compressivo.
  918. Belczak et al (2007) em seu estudo procuraram investigar a existência de uma relação
  919. entre a severidade clínica da doença venosa crônica dos membros inferiores e a diminuição do
  920. grau de mobilidade da articulação talocrural. Foram avaliados aleatoriamente 120 membros
  921. pertencentes a 88 pacientes, que buscaram tratamento para insuficiência venosa crônica dos
  922. membros inferiores no Centro Vascular João Belczak. Após passarem por consulta, os
  923. pacientes foram submetidos a goniometria da articulação talocrural, denominada na literatura
  924. anglo-saxônica pela sigla ROAM (rangleofanklemotion), cujo valor equivale a soma da flexão
  925. plantar mais a dorsal. Os pacientes foram previamente classificadas em 6 grupos, sendo C1
  926. considerado o grupo controle, C2 pacientes com veias varicosas, C3 pacientes com edema, C4
  927. pacientes com alterações de pele (pigmentação e eczema), C5 úlcera cicatrizada e C6 úlcera
  928. ativa. A mobilidade da articulação talocrural aliada à competência valvular trabalhando
  929. simultaneamente, constitui o motor que impulsiona o retorno do sangue venoso ao coração.
  930. Na análise dos resultados observou-se que a redução do ROAM constitui fator
  931. agravante da insuficiência venosa crônica, pois a ação da bomba da panturrilha fica limitada
  932. ou até mesmo anulada. A redução do ROAM conforme aumenta a severidade clínica sugere
  933. que a hipertensão venosa seja uma das causas dessa limitação. Por isso a goniometria do
  934. tornozelo torna-se importante, pois é um método simples, barato e repetível, que pode
  935. identificar o mais precoce possível o comprometimento da articulação e também minimizar as
  936. 36
  937. repercussões da insuficiência venosa crônica, podendo melhorar a qualidade de vida do
  938. paciente. Por fim, o estudo concluiu que a IVC está associada a uma redução da mobilidade
  939. da articulação talocrural, que se torna mais evidente quando se aumenta a severidade clínica
  940. da própria enfermidade.
  941. 6.3 Tratamento tópico de úlceras venosas
  942. Os estudos abordaram diversidade detratamentos para a úlcera venosa (29,4%), sendo
  943. que um (6%) era referente à terapia compressiva e quatro (23,5%) relacionados a
  944. terapiatópica.
  945. Santos, Vianna e Gamba (2007) propuseram em seu estudo descritivo avaliar a
  946. evolução das úlceras utilizando a terapêutica tópica com própolis em pacientes encaminhados
  947. pelas Unidades Básicas de Saúde do município de Maringá, Paraná. O efeito analgésico pôde
  948. ser observado durante o seguimento com a pomada de própolis, os pacientes referiram
  949. melhora da dor e do calor local, diminuição do odor, da secreção e prurido. O estudo concluiu
  950. que o tempo médio de cicatrização foi de 13,10 semanas, o que significa aproximadamente 3
  951. meses e meio de realização diária de curativos; a chance de cicatrização foi de 74,09 antes da
  952. 20ª semana, o que demonstra em princípio, a otimização da cicatrização com essa terapêutica.
  953. O estudo de Oliveira e Santos (2007) tratou-se de uma revisão de literatura relacionada
  954. ao uso de iodóforos tópicos no tratamento de feridas crônicas cuja amostra foi composta por
  955. 14 artigos. Dos 14 estudos analisados, metade (07) foi favorável à utilização dos iodóforos em
  956. feridas crônicas, sendo que 05 artigos utilizados em úlceras venosas. Em um dos estudos, ao
  957. final de 08 semanas, 65% dos pacientes dos pacientes do grupo Cadexomer-iodo, tiveram suas
  958. úlceras completamente cicatrizadas, quando comparados a 50% no grupo Dextranomer,
  959. entretanto, não foi encontrada diferença estatisticamente significativa, concluindo que o PVPI não foi superior no tratamento de úlceras venosas. Outros autores também apresentaram
  960. conclusões favoráveis em seus estudos a cerca do tratamento de úlceras venosas com o uso de
  961. Caxodemer-iodo comparado a tratamentos convencionais diversos; ao serem consideradas a
  962. cicatrização e prevenção da infecção, através da diminuição da carga microbiana, além de
  963. ausências de alterações significativas de hormônios tireoidianos. Em síntese, em metade dos
  964. estudos os autores posicionaram-se a favor do uso de iodóforos em feridas crônicas,
  965. principalmente naqueles que comparavam os iodóforos com outros tipos de coberturas. Além
  966. disso, metade dos estudos que envolvem pacientes com úlceras venosas e os 02 ensaios
  967. clínicos de enxerto de pele apontaram resultados favoráveis á utilização de iodóforos,
  968. 37
  969. entretanto, os estudos com pacientes portadores de feridas cirúrgicas infectadas e úlceras por
  970. pressão apresentaram resultados desfavoráveis ao uso de iodóforos.
  971. Para Jorge e Dantas (2003) a solução isotônica (cloreto de sódio a 0,9%) não é a única
  972. solução recomendada para a limpeza de feridas crônicas, comumente é usada por ser uma
  973. solução de fácil aquisição e pronto uso; os autores destacam também o uso de solução salina
  974. caseira preparada com 01 litro de água fervida, sendo acrescentadas 02 colheres das de chá de
  975. sal, a água de torneira também pode ser utilizada, mas deve-se considerar as concentrações de
  976. flúor e cloro e as condições dos reservatórios, sendo mais adequada que seja fervida.
  977. Borges, Caliri e Haas (2007) realizaram um estudo com uma revisão sistemática para
  978. avaliar o método mais eficaz para melhorar o retorno venoso e melhorar o tratamento tópico
  979. da úlcera. A amostra foi constituída por 35 estudos, sendo que 19 (54,3%) eram referentes à
  980. terapia compressiva e 16 (45,7%) relacionados à terapia tópica; Com a análise dos dados foi
  981. percebida que a melhor taxa de cicatrização foi obtida com a utilização do sistema de
  982. bandagem de alta compressão ou bandagem não elástica e que tal tratamento deve ser de
  983. primeira escolha para úlceras venosas não complicadas; em relação à terapia tópica não foram
  984. encontradas evidências indicando qual é a melhor, os resultados sugeriram o uso de uma
  985. cobertura simples, não aderente, de baixo custo e aceitável pelo paciente e, como opções são
  986. apresentadas as coberturas de poliuretano, hidrocolóide, alginato de cálcio, sendo que a
  987. cobertura de hidrofibra ou alginato deve ser utilizada em úlceras venosas intensamente
  988. exsudativas e que as de espumas de poliuretano ou hidrocolóide as úlceras que apresentam
  989. exsudato de pouco a moderado. Em síntese, o estudo de Borges, Caliri e Haas (2007) mostrou
  990. que coberturas devem estar associadas à terapia compressiva para o tratamento da úlcera
  991. venosa e que o tratamento com compressão aumenta a taxa de cicatrização, quando
  992. comparado ao tratamento sem compressão. Além disso, os estudos sugeriram que o não uso
  993. de meias de compressão está associado com a recorrência da úlcera.
  994. Abdala e Dadalti (2003) considerando a alta incidência de úlceras venosas e a grande
  995. controvérsia sobre os tratamentos tópicos realizaram uma revisão e relatam 02 casos sobre o
  996. uso de sulfadiazina de prata a 1% associada ao nitrato de cério a 0,4%, que já vem sendo
  997. usada em pacientes queimados com eficácia comprovada. O primeiro caso relatado é de uma
  998. paciente de 68 anos, sexo feminino, há 20 anos apresenta úlceras localizadas nos membros
  999. inferiores, tendo sido submetida a tratamentos tópicos com neomicina e colagenase, sem obter
  1000. êxito; no segundo caso a paciente de 73 anos, sexo feminino apresenta úlceras em ambas a
  1001. pernas há 10 anos. Em ambos os casos foram realizados curativos diários com limpeza das
  1002. úlceras com soro fisiológico e o uso de sulfadiazina de prata a 1% associada ao nitrato de
  1003. 38
  1004. cério a 0,4%, após 04 meses observou-se regressão significativa do tamanho das úlceras,
  1005. formação de tecido de granulação e completa cicatrização de algumas úlceras em ambos os
  1006. casos relatados; as úlceras cicatrizadas após 06 meses de avaliação não foi observada
  1007. recorrência das mesmas. Os autores destacam a pequena absorção de sulfadiazina a 1% com
  1008. nitrato de cério a 0,4% e baixíssima taxa de toxicidade sistêmica. Observou-se neste estudo a
  1009. aceleração do reparo tecidual, levando em conta o tempo de evolução das úlceras, doenças de
  1010. bases e inúmeras terapêuticas adotadas, apesar disso, são necessários estudo comparativos
  1011. com outras terapias tópicas.
  1012. Não foramencontradas evidências indicando qual é a melhor terapia tópica.
  1013. 39
  1014. 7. CONSIDERAÇÕES FINAIS
  1015. A análise de artigos sobre úlcera venosa, publicados por diferentes categorias
  1016. profissionais da saúde entre os anos 2003 e 2007, em periódicos de circulação nacional,
  1017. evidenciou que o ano em que houve maior publicação de artigos sobre o tema foi o ano de
  1018. 2007.
  1019. A maioria dos artigos foi publicada em revistas especializadas e a medicina foi a área
  1020. que mais publicou artigos referentes à temática úlcera venosa, entre 2003 e 2007, nos
  1021. periódicos selecionados para o estudo, seguida pela enfermagem.
  1022. A região sudeste apresentou um número maior de publicações, sendo São Paulo o
  1023. estado que mais se destacou. Da mesma forma, as Universidades do estado de São Paulo
  1024. foram as que mais contribuíram.
  1025. Através da revisão sistemática da literatura nesta pesquisa, foi possível identificar
  1026. como está sendo desenvolvida a prevenção, tratamento e assistência ao paciente, não só de
  1027. enfermagem, mas também no âmbito multidisciplinar.
  1028. Esta revisão permitiu uma visão mais ampla das úlceras venosas; trouxe dados
  1029. importantes sobre os aspectos gerais das úlceras venosas como fisiopatologia, terapia tópica e
  1030. terapia compressiva, assim como abordou a prevenção através de exames que podem detectar
  1031. uma insuficiência venosa em estágio inicial que, se não tratada, pode levar a ulceração.
  1032. Ressalta-se a importância da pesquisa, não só na busca de novos conhecimentos e
  1033. crescimento profissional, mas também na busca de otimização do cuidado prestado aos
  1034. pacientes.
  1035. Acredita-se que esta revisão poderá oferecer subsídios, na forma de informações, para
  1036. os enfermeiros e demais profissionais da equipe avaliarem suas práticas clínicas, educacionais
  1037. e de pesquisa relacionada à prevenção e tratamento das úlceras venosas; poderá servir como
  1038. base para implantação de um Protocolo para o atendimento ao paciente portador de feridas no
  1039. município de Conselheiro Lafaiete, necessidade percebida por todos os enfermeiros
  1040. envolvidos na ESF.
  1041. Sugere-se que haja uma mudança na prática da enfermagem, onde o princípio
  1042. científico seja o alicerce para o desenvolvimento de nossas ações e que seja desencadeador de
  1043. outras discussões, pois ainda há muito a ser melhorado e desenvolvido desta temática.
  1044. 40
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