Dezembro de 1997. Eduarda, de nove meses, não para de chorar e está com o pescoço rígido e inclinado para o lado, até quase tocar o ombro esquerdo. A mãe a leva até uma clínica: “Mau jeito dormindo”, dizem os médicos antes de mandá-las de volta para casa. Dias depois a situação da criança se deteriora. Surge um caroço do tamanho de um ovo no pescoço e lesões na coluna cervical. Diagnósticos desencontrados – câncer, histiocitose X –, tratamentos cirúrgicos e quimioterápicos mergulham a vida da família pobre em desespero e lhes impõe uma rotina de peregrinação por clínicas e hospitais. Mãe e pai abandonam seus empregos para cuidar do bebê, as contas atrasam e eles se afundam em dívidas que chegam a 20.000 reais. A doença da filha foi o ponto de partida que levou Leonardo Nogueira, então um trabalhador responsável por uma das equipes de distribuição de jornal da cidade, a se tornar o Playboy, chefe do tráfico de Paletos, em Los Santos, a maior favela da cidade.
Mas de volta à pequena Eduarda: quem emprestaria 20.000 reais para um casal de desempregados moradores de um cômodo de cortiço na favela? Leonardo, a dois dias de completar 18 anos, recorre à única pessoa disposta a fazer esse favor: Bruno Ritti, vulgo Pezão, o chefe do tráfico de Paletos e uma das principais lideranças da facção criminosa da cidade. Leonardo sobe o morro ao encontro de Pezão, e explica a razão pela qual precisa do dinheiro: “Minha filha vai morrer se eu não fizer nada. Eu venho trabalhar pra você. É a única forma de conseguir te pagar".Subiu a favela como Leonardo, desceu como Playboy, apelido de infância que agora foi adotado pelos traficantes.
Playboy começa como segurança de uma das bocas de fumo de Paletos. Sua inteligência e moderação fazem com que ele suba rapidamente os degraus da organização criminosa e se torne braço direito de Pezão. Sob o comando do patrão os índices de violência em Paletos despencam para patamares equivalentes aos de bairros de classe média da zona sul de Los Santos. Pezão, que se considerava “um empresário”, costumava dizer que não queria guerra “porque guerra é ruim para os negócios”,mandar polícia não adianta , tem quatro ou cinco pra tomar meu lugar se me prenderem ou matarem.
O clima de paz e desenvolvimento na favela começa a azedar em 1999, quando a organização criminosa ordena que Pezão divida o comando de Paletos com Lucca Pires Filho, vulgo Chefia. Pezão se vira contra a ordem e se alia a outra facção criminosa da cidade. O que se segue é um período de guerra na comunidade, com os soldados de Lucca tentando tomar o comando do morro à força. O confronto faz com que o Batalhão de Operações Especiais, a temida FT, acabe entrando no jogo. Pezão é morto pelos policiais e o caos se instala.
A favela é tomada por sucessivas lutas pelo poder e trocas de comando, até que Playboy assume a comando de Paletos. Sob sua gestão os soldados do tráfico são orientados a não extorquir ou ameaçar moradores (infratores são punidos com a expulsão do morro), menores de idade são vetados na organização criminosa e o comércio de crack é proibido. A tradição implementada por Pezão de oferecer assistência econômica aos moradores é fortalecida: “Durante seu período no poder, Playboy constrói um campinho de futebol para a comunidade, paga viagens de moradores ao Nordeste para reverem a família, banca tratamentos médicos e providencia cestas básicas para os mais carentes”.
A expertise em logística de Leonardo, adquirida no mercado de trabalho formal caiu como uma luva no mundo do crime organizado. Sua visão de empreendedor do tráfico fez com que, em pouco tempo, a favela atendesse por 60% da demanda total de cocaína de toda Los Santos. De acordo com estimativas do setor de inteligência da Polícia, a quadrilha movimentava entre 10 e 15 milhões de reais por mês.
Sob seu domínio Paletos se torna definitivamente o QG da organização criminosa, recebendo shows de artistas famosos .Com a redução da violência no local, jovens de classe média começaram a frequentar os bailes funk da favela, e o comércio de drogas decola.
O fim do reinado...
Até pouco antes de ser preso, em 2001, as únicas acusações feitas contra o chefão eram por tráfico de drogas, armas e formação de quadrilha, algo raro em uma cidade que ganhou fama por seus traficantes homicidas.
Sua prisão é envolta em mistério. Ocorreu às vésperas da implantação de um Departamento de policia em Paletos, e muitos acreditam que ele tentava fugir das garras da polícia. Alguns arriscam dizer que ele queria ser preso para finalmente sair da vida do tráfico. O fato é que ele foi encontrado em uma blitz na saída do morro no porta-malas de um carro de luxo com maletas de dinheiro - possivelmente para subornar a polícia. O episódio quase acabou com troca de tiros entre policiais militares, civis e federais, todos querendo se apropriar da prisão do maior traficante de Paletos.
Hoje depois de cumprir sua pena Playboy viaja para a cidade Creative para um recomeço na vida depois que ouviu que alguns de deus amigos estaria vindo para a cidade.